domingo, 19 de dezembro de 2010

É estranho escrever sabendo que cedo ou tarde, você vai acabar lendo. Antes eu tinha a ilusão de que isso era extremamente pessoal, que você nunca iria saber dos parágrafos e textos escritos exclusivamente para você. Mas a gente se surpreende tanto, não? Cá estamos, eu escrevendo na certeza que você acabará lendo e você, talvez, com aquele seu sorriso que me trás paz no cantinho da boca. A propósito, você fica extremamente bonito sorrindo, sabia?
Uma coisa que você deve saber sobre mim: Eu sou extremamente fechada. Eu sorrio, sou fofa com as pessoas, falo coisas que elas querem ouvir. Mas quanto mais eu gosto de uma pessoa, quanto mais eu a quero ao meu lado, menos eu corro atrás. Não porque eu não me importe ou porque deixando essa pessoa ir eu me sentirei melhor, mas porque eu simplesmente não consigo confiar em uma pessoa e depois de algum tempo, vê-la partir, assim, sem conseguir trazê-la de volta. Mas com você é diferente. COMPLETAMENTE diferente, se quer saber.
Eu não consigo te deixar ir. Não consigo controlar a sensação de inquietação que me invade cada vez que você me deixa na rodoviária ou quando você me solta, por alguns minutos, pra cumprimentar um amigo ou buscar tua bicicleta. Não consigo controlar também que meus braços busquem alguma parte do seu corpo cada vez que eu deito na minha cama ou sento em algum lugar para fumar. Fumar também se tornou um prazer e uma tortura, se quer saber. Prazer porque acalma minha inquietação e uma tortura cada vez que eu trago e descubro que teu cheiro não virá junto com a fumaça...
Isso porque eu ainda não cheguei na parte em que eu tento te falar o quanto você me faz bem. E o quanto eu anseio por passar o dia, a tarde ou alguns segundos ao teu lado. E na forma como você mexe comigo cada vez que chega ao meu campo de visão, abre os braços e o sorriso e me faz acreditar que tudo tudo tudo pode ser resolvido (ou deixado pra depois) naquele momento e que qualquer problema que eu tenho se torna minúsculo comparado a segurança, felicidade e paz que você me traz. Não falei também da maneira como eu olho pro celular a cada dez, quinze minutos, na esperança de ler um “estou vivo e sinto a sua falta”, da forma como eu fico irada quando não chega algo e de como toda a minha raiva some no momento que chega o rotineiro “boa noite, durma bem.”
Arrisco dizer que tu és uma das pessoas que eu dou muito valor. E uma daquelas que eu não quero e nem estou disposta perder. E toda vez que eu fiquei quieta, que eu respondi nada ou que eu apenas balanço a cabeça o sorrio, saiba que eu estou pensando em ti. Em como você me faz bem, em como eu gosto de estar ao teu lado, em como eu sou apaixonada pela sua risada e pelo seu sorriso e em como a sua respiração me acalma, e me faz ficar bem.
Eu gosto MUITO de você, apesar de não saber demonstrar isso as vezes, e eu quero te ver feliz sempre. Não importa se é longe ou junto de mim, eu apenas quero ver esse teu sorriso lindo e que você trasmita essa paz a qualquer pessoa que percorra ou simplesmente passe pelo teu caminho. Você é extremamente essencial, amor, e eu quero continuar ao teu lado, mesmo que não nos vejamos todos os dias ou que as coisas se compliquem daqui para a frente.
Fique bem, um amor, e saiba que eu estarei ao teu lado por muito muito muito muito muito tempo, ainda.

Quem disse que eu não sabia me expressar, hein?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

"Quando eu vi que você achava que a gente ia terminar, eu percebi que você não tinha entendido nada. Eu sou orgulhoso Taynara. Muito orgulhoso. Quando eu disse aquela vez pra você pensar bem, eu pensei muito. E eu sabia que daria certo. Eu sou tão orgulhoso que eu sei que vai dar certo, cada vez mais. Eu sou tão orgulhoso que sei que só sairei do seu lado quando você olhar pra mim e dizer: eu não quero mais você"

Lembrete!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

"...Você tem cheiro de roupa limpinha com mente suja e eu quero te rasgar inteiro. Mas apenas te dou um beijinho no rosto. Preciso me comportar. Ser como as minhas amigas que se dão bem e arrumam namorados apaixonados.
(...)
Eu gosto das pessoas pelo prazer de gostar e não porque deu tempo de gostar delas. E ninguém entende nada. E todo mundo se assusta. Mas prometo ser uma mulher normal dessa vez."

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

"(...) uma voz amorosa falou meu nome, uma voz quente repetiu que sentia uma saudade enorme, uma falta insuportável, e que queria voltar."

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Depois de certo tempo você consegue olhar para trás e ver tudo que você já fez na sua vida, e dizer que se arrepende amargamente de certas coisas, e de outras não. Porém não lamenta por aquilo que se arrependeu, pois se não tivesse vivido aquele momento talvez não fosse quem é hoje. Você descobre que a pior dor é a saudade. Que as mais dolorosas magoas são aquelas que o amor nos causa. E que por mais que possa te machucar você tem de pensar: Não será para sempre. Enquanto isso viva! Lembre-se que o teu sorriso é o motivo do sorriso de alguém, e não é porque teu coração chora que você tem o direito de ferir a outros.
E quando você estiver triste, fique triste; quando quiser chorar, chore, você tem esse direito, e precisamos disso para limpar nossa alma, mas meu amor, não permita que isso dure para sempre. E saiba que por mais difícil que seja um momento, tenha calma; tenho certeza que a vida lhe reserva uma felicidade incontável. Enquanto ela não chega, treine sua paciência. Nunca espere uma pessoa partir para dizer a ela o quanto a ama e o quanto é especial, pois ai já será tarde demais. Por isso seja feliz e viva cada momento, pois aquele instante será único. Faça novos amigos e não se esqueça dos velhos, pois é tão necessário quanto o ar que sustenta tua vida. Os melhores e os piores dias da tua vida serão ao lado deles. Coloque seus sentimentos na frente dos demais, a tua felicidade é mais importante que qualquer outra coisa e pessoa. E viva, sempre.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Existe alguém em mim que quer falar tudo que acha que sente. Quer dizer que faz qualquer coisa pra te ter ao lado todo dia à noite. Esse alguém te quer. Existe alguém que duvida. Duvida do que tu sentes e, justamente por isso, não diz o que sente. Ele não diz, e te faz achar que ele não sente nada por ti. Esse alguém te gosta muito. Existe também alguém que ferve. Alguém que ignora todo o sentimento, pois espera a cada esquina por algo melhor, algo que nunca aparece e que o faz permanecer nessa incessante busca. Esse alguém não vive sem ti.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

E se eu dissesse que eu paro muito pra pensar, às vezes? No muito que poderia ter sido e não foi. No muito que eu poderia ter dito, mas não podia. Porque eu nao sabia. Eu nao fazia ideia.

Não acredito que teria sido diferente. Mas era preciso.
Acho espantoso que todas as mudanças pequenininhas que a gente sofre todos os dias possam resultar numa mudança absimal no final de muitos deles.
Eu nao precisava de tanta coisa, eu nao precisava e nem queria sentir nada muito forte, eu nao queria ficar procurando a saída, eu nao podia tornar simples o que sempre me manteve na dúvida e o que, vindo de mim, sempre te fez duvidar. Tudo isso transparecia em todos os pedacinhos quebrados que eu carregava dentro de mim.

E tudo continuaria igual. A distância permite a visão mais simples de todas, justamente porque enfrenta-se sentimentos muito mais fortes do que a incerteza, a vergonha de receber nãos e o medo de errar e também o de dizer que gosta. Besteira.

O fato é que, hoje, me parece incogitável deixar de lado o que eu sinto pra poder me manter sem mais nenhum pedaço partido. Eu quero mais é acumular todos os pedacinhos, cicatrizes, cinzas, e o mais que eu puder carregar e transformar em memórias. E aí eu deixo pro tempo o trabalho de fazer tudo isso virar inteiro de novo. Deixo o tempo trabalhar, porque ele é simplesmente demais.

Te livra dos teus, porque eu me livrei dos meus. Eu esqueci todos os fantasmas.

Então não duvida, não esquece, não tenta saber se foi ou não foi. Todas as vezes que você suspeitou, era verdade. Mesmo que fosse do meu jeito.

domingo, 3 de outubro de 2010

Fica parado à porta e eu nem vejo, estou de costas fazendo coisas como escrever, limpar cinzeiros ou olhar o céu pela janela. Fica parado à porta uma porção de tempo, e eu nem vejo, mas dura pouco. Em seguida algum toque quente como um olhar fixo começa a me queimar a nuca, então abandono o que eu estou fazendo, seja o que for, e não sei bem se me volto lenta ou rapidamente, para surpreendê-lo no momento exato de baixar os olhos e afastar a mão apoiada na parede, como se recém chegasse e não estivesse parado ali uma porção de tempo, olhando. Sei que está azul, ou verde, ou branco, talvez os três juntos, talvez outros ainda, talvez nenhum: mas me volto rápida ou lentamente, e nesse movimento qualquer coisa que tenho entre as mãos cai ao chão, e antes de dizermos qualquer coisa há a necessidade quase milenar de curvar-se para apanhar o objeto caído, um livro, um cigarro, provavelmente um estrela. E só depois ou durante o tempo em que vêm subindo no ar as mãos douradas segurando essa coisa qualquer é que nos olhamos e começa a entrar no mar sem medo antigo, e pela primeira vez a água não parece fria nem escura, nem arde nos olhos quando mergulho. Mergulho fundo para voltar em seguida à tona, mas não consigo, qualquer coisa como algas ou raízes ou peixes ou mesmo estrelas me prendem a esse fundo de fogo claro. E me debato sem vontade, sabendo que além da superfície há um dia esmaecido, que ainda é outono e um pajem caminha num parque qualquer, todas as tardes com um livro ou uma folha nas mãos douradas e sozinhas. Mas é azul à minha volta, e embora me doa esse azul entrando pelos sentidos, é ali que quero ficar agora, naquele fundo claro de fogo, com algas de madrepérola aprisionando meus tornozelos, alguns tesouros além, navios piratas, ouros, terras, sereias.

Faço um movimento brusco e venho à tona como se voltasse a mim, e vou saindo lentamente do azul, sento na areia áspera e fico olhando a superfície que volta a ser polida e fria como vidro. Antigo medo, que me encara com olhos que guardam algas de madrepérola no claro fogo do fundo, e que recusa me matar de azul, porque talvez eu não suportasse, e não posso morrer porque é preciso, ainda, sacudir a areia da roupa branca e estender a mão para o livro, cigarro ou estrela que sobe em outras mãos douradas. E sorrir, então, e dizer bom-dia, boa-tarde, talvez boa-noite, e convidar a sentar, como se costuma nessas situações, e explicar sempre que não há muito onde sentar, e espalhar cinzeiros, fechar a porta, escolher rapidamente um disco lento e abandonar a coisa que estivesse fazendo para sentar no canto oposto da cama, talvez cruzar as pernas, acender um cigarro, abrir um livro, olhar uma estrela e falar ouvir durante horas coisas duras e inúteis, e de repente me perceber novamente deslizando para um mar aberto feito boca, convite na esquina, veludo atrás de vidraça, e não ceder porque não seria de esperar que eu cedesse agora, nessas situações, embora me consuma, e penso. Então sorrir e afastar com delicadeza as inúteis durezas até que nos aproximemos das tardes no parque, e era sempre outono. E de repente como girar numa roda louca que jogo de novo eu mesmo neste mesmo parque, com este mesmo livro ou esta mesma folha onde vou desenhando devagar uma estrela enquanto o cigarro queima em fogo claro, e depois ler ou ficar à toa olhando os verdes fumando à espera que um pajem passe de mãos sozinhas que faça encher de encantos as algas de madrepérola me seguram pelos pulsos e eu não resisto e já não importam os parques os pajens as folhas os livros os cigarros as estrelas as guitarras a loucura dos líquidos derramados sobre o tapete que tudo absorve há dezesseis anos: apenas essas algas nos meus pulsos e os tesouros as sereias os reis com suas capas de arminho os atlantes os castelos e parques sem adolescentes sem folhas nem livros em árvores sem esperas e bancos despidos de inscrições parques verdes de paz e uma coisa grita pouco abaixo do meu centro escuro mas eu a trato como o lenhador à serpente entanguida eu a levo para casa preparo fogo e alimento e abro as janelas e portas para voltar correndo às algas de madrepérola que agora se afrouxam e me soltam lentamente para me abandonar outra vez na mesma praia de areia seca olhando esse mar frio que se recusa a me matar de azul e me dói exatamente como se eu fosse um menino pobre a quem se mostrassem um doce da janela de um carro em alta velocidade. Vou escrevendo poemas como Anchieta pelo corrimão branco da escada e abro uma porta escura para a rua cheia de cotovelos, dentes rangendo, hesitações, temores, diplomas e [ilegível]. Depois volto devagar por um caminho que já não consigo decifrar, e me perco em labirintos pela sala vazia, ligodesligo ingridbogarthumphreybergmann e o leite escorre pela minha garganta seca de areia, de água salgada, de ar rarefeito, e tento novamente descobrir tesouros escondidos pelos cantos, como ninhos de Páscoa, e tento reescrever poemas desfeitos pelo vento no corrimão branco, e tudo de repente se fecha em torno de mim como uma bola cheia de espinhos, mas sorrio, contido, e dou as costas para a porta e depois volto a fazer coisas como escrever, limpar cinzeiros ou olhar o cé pela janela. E não espero que outra vez um toque quente como um olhar fixo me queime a nuca e me voltar para encontrar um valete de paus, de mãos estendidas para esse objeto qualquer caído há pouco, um livro, um cigarro, provavelmente um estrela.

(Caio F Abreu)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

E sabe porque é que eu falo tão alto? É que assim você não ouve esse barulho ensurdecedor de sangue correndo pelas minhas veias. E eu fico surda, a cada batida.

domingo, 12 de setembro de 2010

Existem coisas que eu gosto de observar e guardar para mim. Talvez porque eu saiba que, para muitas pessoas, não vá fazer diferença nenhuma na vida delas. Mas para mim faz. Dentre todas essas coisas, as que eu mais gosto de observar, são como os meus sentimentos mudam do dia para noite. Mudam não, se transformam.
Até pouco tempo, eu achava que seria impossível ouvir um 'eu te amo' da boca de certas pessoas sem me remeter há um passado prazeroso. Mas hoje, ouvindo, sentindo o cheiro que me era familiar, senti que o amor se esvairiu pelas minhas mãos ou por alguma dessas esquinas que eu passei a freqüentar. Percebi que a coisa que me prendia a tudo isso já não estava mais lá. O 'meu' já não estava lá. Era apenas ele, o que eu havia conhecido há um ano atrás.
E percebi que o que eu ouvi sexta feira faz sentido. O que eu escutei durante toda a minha vida fez sentido. Eu sou forte emocionalmente e ao mesmo tempo sou incrivelmente sensível. Sou chorona, sou insuportável, sou egoísta, estressada, irritante, boca aberta, estranha, mal humorada, simpática, idiota, besta, me iluso fácil e me apego às coisas mais fácil ainda. Mas essa sou eu, e nada que eu diga ou faço pode mudar isso. Mas eu me 'transformei'. Eu tentei mudar certos atos, mudar certos hábitos, tentei mudar. E isso me fez bem. E me trouxe ótimas pessoas.
Transformação. Aquilo que eu sempre peço na virada do ano, que vem em seguida do pedido de mudança e antes do pedido de uma vida melhor. A única coisa que eu nunca percebi, foi que para que essa transformação ocorresse, eu teria que reescrever minha vida, meus amores, meus ideais. E foi isso que eu fiz. Não me arrependo disso, e nem do que essa transformação trouxe, sendo coisas boas ou ruins. Isso faz parte da minha história, e nada muda isso.
Eu tenho as melhores pessoas do mundo ao meu lado. Tenho a família que a maioria das pessoas desejam, tenho alguns amores espalhados pelo sudeste e alguns outros que ainda não foram descobertos e tenho tudo que eu queria, nesse momento. Busquei durante muito tempo um alguém real para que eu pudesse entregar aquela coisa brilhante que eu achei. Encontrei, e em uma semana entreguei. Mas a coisa brilhante se transformou e voltou para mim. E foi então que eu percebi que eu nunca vou me livrar de algo que nasceu comigo. Nunca vou conseguir doar, sem que a outra pessoa queira receber e que todas as minhas decisões, de um jeito ou de outro, vão me levar ao caminho que eu, vira e mexe, tento fugir. Não fujo mais, nem me escondo. Estou feliz, estou em paz. E isso, ninguém tira, não agora.

sábado, 11 de setembro de 2010

E você? Você tem nome?
Melhor não ter. Única como é - e nem por um instante pense o contrário -, você também representa cada amante de coração partido desse planeta, cada namorada que levou bolo, cada mãe solteira, cada esposa abandonada, cada noiva deixada chorando no altar, cada viúva, cada órfã, cada divorciada, cada criança abandonada. Você é a carta de amor não enviada. Você é o aniversário esquecido, a promessa quebrada, as 30 moedas de prata, a pergunta que pendura através de eras: "Porque que abandonastes?"
Tudo isso sim.
Por certo, seu coração dói, mas como eu, você não é inteiramente inocente. Porque você também já teve seus devaneios, suas ilusões, seus sonhos, seus flertes e pequenas traições de carne ou de espírito.
Você tem vinte e nove anos (ou dezenove, ou quinze). Você mora com seus pais. Você arruma suas coisas. Você cozinha para um. Mas você se esforçou ao máximo, não foi?
Você vai de carro para a escola toda manhã. Você finge ser o que não é, conversa com os seus amigos, conversa com os seus inimigos, vai à casa de amigos e inimigos, visita seus parentes. Jogou fora os presentes que ele te deu. Lavou o cheiro dele das suas roupas. Mas ainda assim, de madrugada, você se pega folheando os livros da memória, assim como eu. (Seus passeios, seus brincadeiras. O quanto você o amava - aquela fé toda.)
Às vezes você faz auto-critica. Dependente demais, você pensa. Achando que ele ia ficar ali para sempre.
Mas ai, mais tarde, você se sente como eu, esmagada pela tristeza novamente. Você percebe que foi ele que foi embora, ele que abandonou você. O que mais doía, tenho certeza, era a súbita certeza de que o amor nunca mais seria amor e que você não tinha mais nada em que acreditar.
Mas passou, e agora você compreende, tal como eu, que a frase "encarar de frente" significa "assentir, concordar". E você não concorda. Todos nós temos os nossos próprios demônios. De um jeito ou de outro, somos perseguidos pelos fantasmas do nosso passado, nosso amores perdidos, nossas burradas e nossas promessas quebradas. Mas você está viva garota. E merece créditos por isso, onde quer que a sua fé tenha ido.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Eu gosto quando todas as minhas certezas ganham um "in" para precedê-las.
E tu vens de longe, com a bolsa cheia de "ins". E quando te vais, restam a mim os bolsos cheios de nada, nada este que eu apalpo apenas para dar alguma função para as minhas mãos nervosas. Quando as in-certezas me tomam por inteiro, dirijo a ti o mais confuso dos meus olhares. E neles tu vês escrito o que bem entendes.
Se refletes o que sinto como um espelho, prefiro apagar a luz do que ficar me desviando de desejos incertos, confusões montadas e histórias sem fim.

Não poderias saber... nada de mais absoluto sobre ela, a não ser ela própria. Fazendo algumas perguntas, tu ouvirias respostas. Nas respostas ela poderia mentir, dissimular, e a realidade que estava sendo, a realidade que agora era, seria quebrada. E pois, não fazendo perguntas, tu aceitarias a moça completamente. Desconhecida, ela seria mais completa que todo um inventário sobre o seu passado. Descobririas que as coisas e as pessoas só o são em totalidade quando não existem perguntas, ou quando essas perguntas não são feitas. Que a maneira mais absoluta de aceitar alguém ou alguma coisa seria justamente não falar, não perguntar - mas ver. Em silêncio.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Eu sei que já fiz muita coisa errada, mas o fato de eu ser maluca não quer dizer que eu não dê valor pras coisas e nem pra você. Todas as poesias do mundo eu dedico à você, todas as coisas que eu amo eu divido com você, eu sei que a vida é louca e é difícil acreditar, mas a vida é das pessoas que sonham e mandam em seus sentimentose tem seus sonhos. E o meu sonho é você! Essa eu fiz por você, essa eu fiz por você e por todos nós, todos nós, essa eu fiz foi por todos nós, essa eu fiz por todos nós, essa eu fiz foi por todos nós ..

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como “estou contente outra vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”.

Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de “uma ausência”. E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração.
*Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.
Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.
*Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.
Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- … mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O corpo que caminha é o mesmo que volta atrás. O corpo que dá as mãos é o mesmo que cruza os braços. O corpo que faz carinho é o mesmo que vira as costas. O corpo que deita do lado e em cima é o mesmo que fica em pé, frente a frente. O corpo que ajoelha calmamente é o mesmo que vai andando apressado.

Os cabelos que se deixam brincar esparramados na cama, são os mesmos presos em coque, num dia ruim. Os cabelos que recebem um cafuné, são os mesmos que ficam de frente pra você, quando viro as costas. Os cabelos que fazem cócegas na sua bochecha durante um beijo, são os mesmos que ficam presos atrás das orelhas, distantes, numa discussão.

A boca que beija é a mesma que diz “acabou”. A boca que ama é aquela que um dia vai calar. A boca que grita um alto e sonoro “EU TE AMO” é a mesma que xinga. Mas isso tudo, nada é comparado aos olhos. Os olhos são sempre os olhos, mesmo que tristes, mesmo sorridentes, são os olhos que carregam toda a sinceridade de você.

São eles a porta de entrada para a alma de alguém. Não é a boca dando seu primeiro “oi”. Não é o nariz ao sentir o primeiro cheiro. Não é o corpo se dirigindo ao primeiro contato. Não é a tão falada “pele”. São os olhos, que antes de tudo, têm a percepção e a dimensão. Os olhos nunca mentem, escondem, ou omitem. Pra quem sabe ler, eles tudo dizem. E saiba você que cada par de olhos têm o seu leitor especial, aquele que sabe ler você por inteiro, aquele que consegue saber exatamente o que cada olhar seu ou piscada mais lenta quer dizer.

No começo o vazio de palavras é preenchido pelos beijos. Ao fim, o vazio de beijos é preenchido pelas palavras. Mas, e o olhar? Onde anda o olhar? O olhar no início é curioso, de quem quer parar só pra observar, capturar todos os detalhes pra que a memória possa registrar. Ao fim, o olhar conhece muito, consegue até imaginar a presença de quem não está. O olhar nesse todo tempo, não sabe mentir. Ele não diz que ama se não amar, nem diz que não ama, se amar.

Só de te encontrar muda muito, mas encontrar meu olhar com o teu olhar, muda tudo. De tanto olhar tenho a visão automática e cega de você. Minhas mãos já te enxergam por completo no escuro e não tem a ver com a forma, os cílios, o modo da sobrancelha repousar, nem com o tom castanho exatamente igual ao meu. Se trata apenas do brilho deles ao encontrar os meus, coisa que eu nunca vou esquecer.

Tem a ver também com a sensação transmitida por eles, a cada situação. Durante um abraço, durante um cafuné, durante o meu choro, ou uma briga. Não finja que esqueceu tudo o que sentiu quando seus olhos escorregavam entre as palavras que escrevi pra você numa folha de caderno, enquanto os meus escorregavam em lágrimas.

Gosto de lembrar deles cerrando, junto com uma risada gostosa, depois de qualquer besteira que eu tenha dito. Ou de um beijinho de borboleta que eles me deram. E o mais difícil é perder o meu olhar do seu. É ver com meus próprios olhos os seus olhos, olhando outros olhos.

Mas, que fique claro, todas as lembranças que gravaram os meus olhos, são guardadas e revividas quando eles fechados, em modo cego, descobrem uma maneira de te encontrar.

E a cada novo lugar que o meu corpo visita, meus olhos buscam de olhar em olhar, algum que seja causador de tanta curiosidade como era o seu. Não tão bonito, não com o mesmo brilho, não com o mesmo amor, porque eu sei que não existe. E eu me pergunto se um dia você vai encontrar, algum outro olhar que entenda o seu como o meu.

E isso tudo nada mais é que uma inútil tentativa de expressar o que são os seus olhos quando encontram os meus olhos. E mais ainda, o que acontece com o resto de mim durante esse encontro. Hoje você é o que me dizem seus olhos, mesmo que sua boca tente mentir.

Enquanto escrevo, leio e releio, imaginando você lendo. Sabendo que cada palavra é sua. E agora, imagino também seus olhos correndo para o “x” de fechar a janela. Me dando mais um adeus, dessa vez, um adeus cego pra mim. Agora, meus olhos, apesar de andarem sempre em par, sentem-se sós.


in muitomelhorqueatuaex.wordpress.com/

terça-feira, 1 de junho de 2010


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final... Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão

domingo, 23 de maio de 2010


Disse sim. E então se calou, como se tivesse dado uma resposta sem muito pensar. Mas afinal, quem pode determinar qual o tempo certo?
Disse sim, e pronto. Sem dor. Sem meio-termos. Sem 'se'. Disse sim, de uma forma enfática, sábia e desafiadora. Disse sim, como se utilizasse essa palavra como espada, como escudo, como se ao atacar se defendesse.
Disse sim, simplesmente, com significado de sim. Sim para a vida, para o amor e o medo, para o silêncio, para o choro, para o riso. Disse sim pra ela mesma, para os desejos, para os erros, para a solidão inerente da sua condição. Disse sim, porque já não aguenta tanto 'nãos'.
E disse sim para a espera calma, para o amor em segredo, para a manhã morna dos domingos. Sim para a mesa posta, para o filme que faz chorar, para o livro que fala sobre morte. Sim para ele. Sim para todo o contraste entre o branco e o preto. Sim para a meditação. disse sim ao meio termo, ao almoço sem sal, ao sonho perturbador, a tensão do dia-a-dia em consciência.
E pensou mais tarde que por aceitar assim, tão facilmente, as coisas da vida, pudesse acabar se arrependendo. E talvez se arrependesse mais tarde, de não ter dito, de ter aceito o silêncio longo demais. talvez, se arrependesse de ter aceito a distância, a separação, a não confissão dos sentimentos. Mas, afinal, quem poderá saber o caminho certo a seguir?
Ela disse sim. E a vida se abriu como uma flor na primaveira, tão natural e bela que, às vezes, acreditava que essa sua sintonia a faria maior do que é. E, certamente, sentia dentro de si, esse sim, mudando as vírgulas, fechando cicatrizes, adoçando seus espaços amargos, protegendo seus segredos.
Disse sim, como se a vida fosse muito curta para esperas e silêncios. Como se fosse longa demais para a saudade insuportável. Disse sim, calada. e num abraço, celou com o tempo um acordo intímo. disse sim, mais uma vez. Sim para o que vier…
e quem poderá saber o que virá?

domingo, 24 de janeiro de 2010

para um amor perdido;

Fiquei triste. Num momento você estava aqui, no outro já não estava. Igual a um bicho de estimação que morre de repente e somem com o corpo.
Para onde foi tudo aquilo? Que tinhamos tão seguro. Tão certos de sua eternidade. Para onde foi, hein? Meu peito, depósito subitamente esvaziado, aperta-se no meio de tanto espaço.
Tento identificar o instante, quando o que tinhamos se perdeu. Mas nem sei se perdemos juntos ou se juntos já não estávamos. Me desespera saber que um amor, um dia desses tão grande, possa ter desaparecido com tanta facilidade.
Como já disse; estou triste; e isso me faz acreditar no poder das cartas. Não falo de tarô, mas destas, escritas e mandadas ou não mandadas. Cheias de questões e metáforas, que assim, misturadas cuidadosamente, num cafona português polido; soam mais sensatas.
Qual poder espero desta carta? semples: que deixa registrado este meu estranho momento. Quando o que devia ser alívio revela-se angústia. E a cabeça não pára, vasculhando cantos vazios.
Não gosto de perder as minhas coisas, você sabe. E hoje, cercada pela sua ausência, procuro o que procurar. Pois, se um amor como aquele acaba dessa maneira, vale a pena encontrar um outro? Será inteligente apostar tanto de novo?
Aposto que você está pouco se lixando para tudo isso. Que seguiu sua vida tranquilamente, como se nada de tão importante tivesse ocorrido. E está achando graça desta minha carta, julgando-a patética e ridícula. Você redundamente como sempre.
Só há uma coisa certa a respeito disso: não desejo sua resposta. É, esta é uma carta que não é para ser respondida. Apenas lidas, relidas, depois picadas em pedacinhos. Sendo esse o destino mais nobre para as emoções abandonadas.
Queria apenas pedir um favor antes que você rasgue este resto do que tivemos. Se um dia, tendo bebido demais, sei lá, você acabar pensando em tolias parecidas com estas, escreva também uma carta. Mesmo sem jamais saber o que você irá dizer, sei que fará de mim menos ridícula. Neste amor e, por isso, em todo resto. Pois adoraria que você fosse capaz de tanto; escrever uma carta é um ato de desmetida coragem. E eu ficaria, enfim, feliz comigo, por tê-lo amado. Um homem assim, capaz de escrever bobagens amorosas.
Então é isso - como sou insuportavelmente romântica, meu Deus. Termino aqui esta história, de minha parte, contando que estas palavras façam jus ao fim do amor onde me reconheço fraca e irremediável. Porque ainda gostaria de poder acreditar que você nadaria de volta pra mim.