domingo, 12 de setembro de 2010

Existem coisas que eu gosto de observar e guardar para mim. Talvez porque eu saiba que, para muitas pessoas, não vá fazer diferença nenhuma na vida delas. Mas para mim faz. Dentre todas essas coisas, as que eu mais gosto de observar, são como os meus sentimentos mudam do dia para noite. Mudam não, se transformam.
Até pouco tempo, eu achava que seria impossível ouvir um 'eu te amo' da boca de certas pessoas sem me remeter há um passado prazeroso. Mas hoje, ouvindo, sentindo o cheiro que me era familiar, senti que o amor se esvairiu pelas minhas mãos ou por alguma dessas esquinas que eu passei a freqüentar. Percebi que a coisa que me prendia a tudo isso já não estava mais lá. O 'meu' já não estava lá. Era apenas ele, o que eu havia conhecido há um ano atrás.
E percebi que o que eu ouvi sexta feira faz sentido. O que eu escutei durante toda a minha vida fez sentido. Eu sou forte emocionalmente e ao mesmo tempo sou incrivelmente sensível. Sou chorona, sou insuportável, sou egoísta, estressada, irritante, boca aberta, estranha, mal humorada, simpática, idiota, besta, me iluso fácil e me apego às coisas mais fácil ainda. Mas essa sou eu, e nada que eu diga ou faço pode mudar isso. Mas eu me 'transformei'. Eu tentei mudar certos atos, mudar certos hábitos, tentei mudar. E isso me fez bem. E me trouxe ótimas pessoas.
Transformação. Aquilo que eu sempre peço na virada do ano, que vem em seguida do pedido de mudança e antes do pedido de uma vida melhor. A única coisa que eu nunca percebi, foi que para que essa transformação ocorresse, eu teria que reescrever minha vida, meus amores, meus ideais. E foi isso que eu fiz. Não me arrependo disso, e nem do que essa transformação trouxe, sendo coisas boas ou ruins. Isso faz parte da minha história, e nada muda isso.
Eu tenho as melhores pessoas do mundo ao meu lado. Tenho a família que a maioria das pessoas desejam, tenho alguns amores espalhados pelo sudeste e alguns outros que ainda não foram descobertos e tenho tudo que eu queria, nesse momento. Busquei durante muito tempo um alguém real para que eu pudesse entregar aquela coisa brilhante que eu achei. Encontrei, e em uma semana entreguei. Mas a coisa brilhante se transformou e voltou para mim. E foi então que eu percebi que eu nunca vou me livrar de algo que nasceu comigo. Nunca vou conseguir doar, sem que a outra pessoa queira receber e que todas as minhas decisões, de um jeito ou de outro, vão me levar ao caminho que eu, vira e mexe, tento fugir. Não fujo mais, nem me escondo. Estou feliz, estou em paz. E isso, ninguém tira, não agora.

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