
Disse sim. E então se calou, como se tivesse dado uma resposta sem muito pensar. Mas afinal, quem pode determinar qual o tempo certo?
Disse sim, e pronto. Sem dor. Sem meio-termos. Sem 'se'. Disse sim, de uma forma enfática, sábia e desafiadora. Disse sim, como se utilizasse essa palavra como espada, como escudo, como se ao atacar se defendesse.
Disse sim, simplesmente, com significado de sim. Sim para a vida, para o amor e o medo, para o silêncio, para o choro, para o riso. Disse sim pra ela mesma, para os desejos, para os erros, para a solidão inerente da sua condição. Disse sim, porque já não aguenta tanto 'nãos'.
E disse sim para a espera calma, para o amor em segredo, para a manhã morna dos domingos. Sim para a mesa posta, para o filme que faz chorar, para o livro que fala sobre morte. Sim para ele. Sim para todo o contraste entre o branco e o preto. Sim para a meditação. disse sim ao meio termo, ao almoço sem sal, ao sonho perturbador, a tensão do dia-a-dia em consciência.
E pensou mais tarde que por aceitar assim, tão facilmente, as coisas da vida, pudesse acabar se arrependendo. E talvez se arrependesse mais tarde, de não ter dito, de ter aceito o silêncio longo demais. talvez, se arrependesse de ter aceito a distância, a separação, a não confissão dos sentimentos. Mas, afinal, quem poderá saber o caminho certo a seguir?
Ela disse sim. E a vida se abriu como uma flor na primaveira, tão natural e bela que, às vezes, acreditava que essa sua sintonia a faria maior do que é. E, certamente, sentia dentro de si, esse sim, mudando as vírgulas, fechando cicatrizes, adoçando seus espaços amargos, protegendo seus segredos.
Disse sim, como se a vida fosse muito curta para esperas e silêncios. Como se fosse longa demais para a saudade insuportável. Disse sim, calada. e num abraço, celou com o tempo um acordo intímo. disse sim, mais uma vez. Sim para o que vier…
e quem poderá saber o que virá?
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