terça-feira, 14 de setembro de 2010

E sabe porque é que eu falo tão alto? É que assim você não ouve esse barulho ensurdecedor de sangue correndo pelas minhas veias. E eu fico surda, a cada batida.

domingo, 12 de setembro de 2010

Existem coisas que eu gosto de observar e guardar para mim. Talvez porque eu saiba que, para muitas pessoas, não vá fazer diferença nenhuma na vida delas. Mas para mim faz. Dentre todas essas coisas, as que eu mais gosto de observar, são como os meus sentimentos mudam do dia para noite. Mudam não, se transformam.
Até pouco tempo, eu achava que seria impossível ouvir um 'eu te amo' da boca de certas pessoas sem me remeter há um passado prazeroso. Mas hoje, ouvindo, sentindo o cheiro que me era familiar, senti que o amor se esvairiu pelas minhas mãos ou por alguma dessas esquinas que eu passei a freqüentar. Percebi que a coisa que me prendia a tudo isso já não estava mais lá. O 'meu' já não estava lá. Era apenas ele, o que eu havia conhecido há um ano atrás.
E percebi que o que eu ouvi sexta feira faz sentido. O que eu escutei durante toda a minha vida fez sentido. Eu sou forte emocionalmente e ao mesmo tempo sou incrivelmente sensível. Sou chorona, sou insuportável, sou egoísta, estressada, irritante, boca aberta, estranha, mal humorada, simpática, idiota, besta, me iluso fácil e me apego às coisas mais fácil ainda. Mas essa sou eu, e nada que eu diga ou faço pode mudar isso. Mas eu me 'transformei'. Eu tentei mudar certos atos, mudar certos hábitos, tentei mudar. E isso me fez bem. E me trouxe ótimas pessoas.
Transformação. Aquilo que eu sempre peço na virada do ano, que vem em seguida do pedido de mudança e antes do pedido de uma vida melhor. A única coisa que eu nunca percebi, foi que para que essa transformação ocorresse, eu teria que reescrever minha vida, meus amores, meus ideais. E foi isso que eu fiz. Não me arrependo disso, e nem do que essa transformação trouxe, sendo coisas boas ou ruins. Isso faz parte da minha história, e nada muda isso.
Eu tenho as melhores pessoas do mundo ao meu lado. Tenho a família que a maioria das pessoas desejam, tenho alguns amores espalhados pelo sudeste e alguns outros que ainda não foram descobertos e tenho tudo que eu queria, nesse momento. Busquei durante muito tempo um alguém real para que eu pudesse entregar aquela coisa brilhante que eu achei. Encontrei, e em uma semana entreguei. Mas a coisa brilhante se transformou e voltou para mim. E foi então que eu percebi que eu nunca vou me livrar de algo que nasceu comigo. Nunca vou conseguir doar, sem que a outra pessoa queira receber e que todas as minhas decisões, de um jeito ou de outro, vão me levar ao caminho que eu, vira e mexe, tento fugir. Não fujo mais, nem me escondo. Estou feliz, estou em paz. E isso, ninguém tira, não agora.

sábado, 11 de setembro de 2010

E você? Você tem nome?
Melhor não ter. Única como é - e nem por um instante pense o contrário -, você também representa cada amante de coração partido desse planeta, cada namorada que levou bolo, cada mãe solteira, cada esposa abandonada, cada noiva deixada chorando no altar, cada viúva, cada órfã, cada divorciada, cada criança abandonada. Você é a carta de amor não enviada. Você é o aniversário esquecido, a promessa quebrada, as 30 moedas de prata, a pergunta que pendura através de eras: "Porque que abandonastes?"
Tudo isso sim.
Por certo, seu coração dói, mas como eu, você não é inteiramente inocente. Porque você também já teve seus devaneios, suas ilusões, seus sonhos, seus flertes e pequenas traições de carne ou de espírito.
Você tem vinte e nove anos (ou dezenove, ou quinze). Você mora com seus pais. Você arruma suas coisas. Você cozinha para um. Mas você se esforçou ao máximo, não foi?
Você vai de carro para a escola toda manhã. Você finge ser o que não é, conversa com os seus amigos, conversa com os seus inimigos, vai à casa de amigos e inimigos, visita seus parentes. Jogou fora os presentes que ele te deu. Lavou o cheiro dele das suas roupas. Mas ainda assim, de madrugada, você se pega folheando os livros da memória, assim como eu. (Seus passeios, seus brincadeiras. O quanto você o amava - aquela fé toda.)
Às vezes você faz auto-critica. Dependente demais, você pensa. Achando que ele ia ficar ali para sempre.
Mas ai, mais tarde, você se sente como eu, esmagada pela tristeza novamente. Você percebe que foi ele que foi embora, ele que abandonou você. O que mais doía, tenho certeza, era a súbita certeza de que o amor nunca mais seria amor e que você não tinha mais nada em que acreditar.
Mas passou, e agora você compreende, tal como eu, que a frase "encarar de frente" significa "assentir, concordar". E você não concorda. Todos nós temos os nossos próprios demônios. De um jeito ou de outro, somos perseguidos pelos fantasmas do nosso passado, nosso amores perdidos, nossas burradas e nossas promessas quebradas. Mas você está viva garota. E merece créditos por isso, onde quer que a sua fé tenha ido.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Eu gosto quando todas as minhas certezas ganham um "in" para precedê-las.
E tu vens de longe, com a bolsa cheia de "ins". E quando te vais, restam a mim os bolsos cheios de nada, nada este que eu apalpo apenas para dar alguma função para as minhas mãos nervosas. Quando as in-certezas me tomam por inteiro, dirijo a ti o mais confuso dos meus olhares. E neles tu vês escrito o que bem entendes.
Se refletes o que sinto como um espelho, prefiro apagar a luz do que ficar me desviando de desejos incertos, confusões montadas e histórias sem fim.

Não poderias saber... nada de mais absoluto sobre ela, a não ser ela própria. Fazendo algumas perguntas, tu ouvirias respostas. Nas respostas ela poderia mentir, dissimular, e a realidade que estava sendo, a realidade que agora era, seria quebrada. E pois, não fazendo perguntas, tu aceitarias a moça completamente. Desconhecida, ela seria mais completa que todo um inventário sobre o seu passado. Descobririas que as coisas e as pessoas só o são em totalidade quando não existem perguntas, ou quando essas perguntas não são feitas. Que a maneira mais absoluta de aceitar alguém ou alguma coisa seria justamente não falar, não perguntar - mas ver. Em silêncio.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Eu sei que já fiz muita coisa errada, mas o fato de eu ser maluca não quer dizer que eu não dê valor pras coisas e nem pra você. Todas as poesias do mundo eu dedico à você, todas as coisas que eu amo eu divido com você, eu sei que a vida é louca e é difícil acreditar, mas a vida é das pessoas que sonham e mandam em seus sentimentose tem seus sonhos. E o meu sonho é você! Essa eu fiz por você, essa eu fiz por você e por todos nós, todos nós, essa eu fiz foi por todos nós, essa eu fiz por todos nós, essa eu fiz foi por todos nós ..

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como “estou contente outra vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”.

Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de “uma ausência”. E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração.
*Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.
Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.
*Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.
Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- … mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca.