sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Eu gosto quando todas as minhas certezas ganham um "in" para precedê-las.
E tu vens de longe, com a bolsa cheia de "ins". E quando te vais, restam a mim os bolsos cheios de nada, nada este que eu apalpo apenas para dar alguma função para as minhas mãos nervosas. Quando as in-certezas me tomam por inteiro, dirijo a ti o mais confuso dos meus olhares. E neles tu vês escrito o que bem entendes.
Se refletes o que sinto como um espelho, prefiro apagar a luz do que ficar me desviando de desejos incertos, confusões montadas e histórias sem fim.

Não poderias saber... nada de mais absoluto sobre ela, a não ser ela própria. Fazendo algumas perguntas, tu ouvirias respostas. Nas respostas ela poderia mentir, dissimular, e a realidade que estava sendo, a realidade que agora era, seria quebrada. E pois, não fazendo perguntas, tu aceitarias a moça completamente. Desconhecida, ela seria mais completa que todo um inventário sobre o seu passado. Descobririas que as coisas e as pessoas só o são em totalidade quando não existem perguntas, ou quando essas perguntas não são feitas. Que a maneira mais absoluta de aceitar alguém ou alguma coisa seria justamente não falar, não perguntar - mas ver. Em silêncio.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Eu sei que já fiz muita coisa errada, mas o fato de eu ser maluca não quer dizer que eu não dê valor pras coisas e nem pra você. Todas as poesias do mundo eu dedico à você, todas as coisas que eu amo eu divido com você, eu sei que a vida é louca e é difícil acreditar, mas a vida é das pessoas que sonham e mandam em seus sentimentose tem seus sonhos. E o meu sonho é você! Essa eu fiz por você, essa eu fiz por você e por todos nós, todos nós, essa eu fiz foi por todos nós, essa eu fiz por todos nós, essa eu fiz foi por todos nós ..

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como “estou contente outra vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”.

Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de “uma ausência”. E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração.
*Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.
Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.
*Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.
Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- … mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O corpo que caminha é o mesmo que volta atrás. O corpo que dá as mãos é o mesmo que cruza os braços. O corpo que faz carinho é o mesmo que vira as costas. O corpo que deita do lado e em cima é o mesmo que fica em pé, frente a frente. O corpo que ajoelha calmamente é o mesmo que vai andando apressado.

Os cabelos que se deixam brincar esparramados na cama, são os mesmos presos em coque, num dia ruim. Os cabelos que recebem um cafuné, são os mesmos que ficam de frente pra você, quando viro as costas. Os cabelos que fazem cócegas na sua bochecha durante um beijo, são os mesmos que ficam presos atrás das orelhas, distantes, numa discussão.

A boca que beija é a mesma que diz “acabou”. A boca que ama é aquela que um dia vai calar. A boca que grita um alto e sonoro “EU TE AMO” é a mesma que xinga. Mas isso tudo, nada é comparado aos olhos. Os olhos são sempre os olhos, mesmo que tristes, mesmo sorridentes, são os olhos que carregam toda a sinceridade de você.

São eles a porta de entrada para a alma de alguém. Não é a boca dando seu primeiro “oi”. Não é o nariz ao sentir o primeiro cheiro. Não é o corpo se dirigindo ao primeiro contato. Não é a tão falada “pele”. São os olhos, que antes de tudo, têm a percepção e a dimensão. Os olhos nunca mentem, escondem, ou omitem. Pra quem sabe ler, eles tudo dizem. E saiba você que cada par de olhos têm o seu leitor especial, aquele que sabe ler você por inteiro, aquele que consegue saber exatamente o que cada olhar seu ou piscada mais lenta quer dizer.

No começo o vazio de palavras é preenchido pelos beijos. Ao fim, o vazio de beijos é preenchido pelas palavras. Mas, e o olhar? Onde anda o olhar? O olhar no início é curioso, de quem quer parar só pra observar, capturar todos os detalhes pra que a memória possa registrar. Ao fim, o olhar conhece muito, consegue até imaginar a presença de quem não está. O olhar nesse todo tempo, não sabe mentir. Ele não diz que ama se não amar, nem diz que não ama, se amar.

Só de te encontrar muda muito, mas encontrar meu olhar com o teu olhar, muda tudo. De tanto olhar tenho a visão automática e cega de você. Minhas mãos já te enxergam por completo no escuro e não tem a ver com a forma, os cílios, o modo da sobrancelha repousar, nem com o tom castanho exatamente igual ao meu. Se trata apenas do brilho deles ao encontrar os meus, coisa que eu nunca vou esquecer.

Tem a ver também com a sensação transmitida por eles, a cada situação. Durante um abraço, durante um cafuné, durante o meu choro, ou uma briga. Não finja que esqueceu tudo o que sentiu quando seus olhos escorregavam entre as palavras que escrevi pra você numa folha de caderno, enquanto os meus escorregavam em lágrimas.

Gosto de lembrar deles cerrando, junto com uma risada gostosa, depois de qualquer besteira que eu tenha dito. Ou de um beijinho de borboleta que eles me deram. E o mais difícil é perder o meu olhar do seu. É ver com meus próprios olhos os seus olhos, olhando outros olhos.

Mas, que fique claro, todas as lembranças que gravaram os meus olhos, são guardadas e revividas quando eles fechados, em modo cego, descobrem uma maneira de te encontrar.

E a cada novo lugar que o meu corpo visita, meus olhos buscam de olhar em olhar, algum que seja causador de tanta curiosidade como era o seu. Não tão bonito, não com o mesmo brilho, não com o mesmo amor, porque eu sei que não existe. E eu me pergunto se um dia você vai encontrar, algum outro olhar que entenda o seu como o meu.

E isso tudo nada mais é que uma inútil tentativa de expressar o que são os seus olhos quando encontram os meus olhos. E mais ainda, o que acontece com o resto de mim durante esse encontro. Hoje você é o que me dizem seus olhos, mesmo que sua boca tente mentir.

Enquanto escrevo, leio e releio, imaginando você lendo. Sabendo que cada palavra é sua. E agora, imagino também seus olhos correndo para o “x” de fechar a janela. Me dando mais um adeus, dessa vez, um adeus cego pra mim. Agora, meus olhos, apesar de andarem sempre em par, sentem-se sós.


in muitomelhorqueatuaex.wordpress.com/

terça-feira, 1 de junho de 2010


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final... Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão

domingo, 23 de maio de 2010


Disse sim. E então se calou, como se tivesse dado uma resposta sem muito pensar. Mas afinal, quem pode determinar qual o tempo certo?
Disse sim, e pronto. Sem dor. Sem meio-termos. Sem 'se'. Disse sim, de uma forma enfática, sábia e desafiadora. Disse sim, como se utilizasse essa palavra como espada, como escudo, como se ao atacar se defendesse.
Disse sim, simplesmente, com significado de sim. Sim para a vida, para o amor e o medo, para o silêncio, para o choro, para o riso. Disse sim pra ela mesma, para os desejos, para os erros, para a solidão inerente da sua condição. Disse sim, porque já não aguenta tanto 'nãos'.
E disse sim para a espera calma, para o amor em segredo, para a manhã morna dos domingos. Sim para a mesa posta, para o filme que faz chorar, para o livro que fala sobre morte. Sim para ele. Sim para todo o contraste entre o branco e o preto. Sim para a meditação. disse sim ao meio termo, ao almoço sem sal, ao sonho perturbador, a tensão do dia-a-dia em consciência.
E pensou mais tarde que por aceitar assim, tão facilmente, as coisas da vida, pudesse acabar se arrependendo. E talvez se arrependesse mais tarde, de não ter dito, de ter aceito o silêncio longo demais. talvez, se arrependesse de ter aceito a distância, a separação, a não confissão dos sentimentos. Mas, afinal, quem poderá saber o caminho certo a seguir?
Ela disse sim. E a vida se abriu como uma flor na primaveira, tão natural e bela que, às vezes, acreditava que essa sua sintonia a faria maior do que é. E, certamente, sentia dentro de si, esse sim, mudando as vírgulas, fechando cicatrizes, adoçando seus espaços amargos, protegendo seus segredos.
Disse sim, como se a vida fosse muito curta para esperas e silêncios. Como se fosse longa demais para a saudade insuportável. Disse sim, calada. e num abraço, celou com o tempo um acordo intímo. disse sim, mais uma vez. Sim para o que vier…
e quem poderá saber o que virá?